“Portugal é o nosso pai”, diz General da FLEC - Plataforma Media

“Portugal é o nosso pai”, diz General da FLEC no terreno

“Portugal é o nosso pai”. “Portugal é que salvou o povo de Timor-Leste e deve fazer o mesmo por Cabinda”, diz Afonso Zao, o Tenente-General das FLEC-FAC, em declarações ao PLATAFORMA.

“O nosso país está sob invasão há muitos anos e a situação não está a melhorar”, diz este combatente das Forças de Libertação do Enclave de Cabinda, sublinhando que Portugal tem uma particular responsabilidade em todo o processo.

Falando sempre em nome do sofrimento do seu povo, Afonso Zao pede que “Portugal explique ao mundo e à comunidade internacional o que é Cabinda e o que lá se passa há dezenas de anos” O Tenente-General sublinha que Cabinda “nem sequer faz fronteira com Angola”, apontando isso como mais um motivo para a luta pela independência do território.

E é de Portugal que Afonso Zao mais espera nesta luta. “Portugal é o nosso pai”, diz sem hesitações. “Educou-nos e tem a responsabilidade de ajudar” na resolução deste conflito, para lembrar que agora “até é um português o Secretário Geral da ONU”, sublinhando a posição que hoje ocupa António Guterres.

O conflito de Cabinda

No quadro da “corrida europeia para África”, Portugal concluiu, em fevereiro de 1885, com os chefes dos reinos ao norte de Angola, o Tratado de Simulambuco, que daria à região o estatuto de protetorado da Coroa Portuguesa, “sob permissão dos príncipes e governantes do Congo”, reservando dessa forma os direitos de governação do território.

No final da década de 1950 e inícios da década de 1960, constituíram-se no território vários grupos que se insurgiam contra a dominação colonial. Neste meio havia desde o início a ideia de uma independência de Cabinda.

Em 1962, estes grupos uniram-se, formando em Brazzaville a FLEC, Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda. Este movimento teve desde o início o propósito de promover para Cabinda uma independência separada da pretendida para Angola, pelos movimentos nacionalistas FNLA, MPLA e UNITA.

Com esse objetivo, a FLEC constituiu em 1967 um “Governo de Cabinda no Exílio”, com sede em Ponta Negra, no Congo-Brazzaville. As atividades desenvolvidas pela FLEC passaram, durante algum tempo por tentativas de mobilização política e pela procura, por via diplomática, de um reconhecimento internacional alargado.

Em simultâneo, a FNLA e o MPLA desenvolveram a partir do Congo-Kinshasa operações militares em Cabinda. Esta situação obrigou Portugal a reforçar consideravelmente a sua presença militar em Cabinda, conseguindo desse modo conter a implantação dos dois movimentos. No fim dos anos 60, a FNLA cessou praticamente as suas operações em Cabinda, enquanto o MPLA marcou alguma presença militar até ao fim da era colonial. MPLA e FLEC rivalizaram no campo da mobilização política.

Após a Revolução de Abril de 1974 em Portugal, o MPLA obteve o controle militar de Cabinda, defendendo a continuação do enclave como parte integrante de Angola, e procurando neutralizar os militantes da FLEC. Por sua vez a FLEC, na altura dividida em várias correntes, declarou a independência separada de Cabinda e criou rapidamente uma pequena força militar. Na realidade a partir desse momento, a FLEC deixou de ter um papel relevante no processo conflituoso que levou à independência de Angola… mas não deixou de ter existência.

Leia a descrição dos combates no terreno feita ao PLATAFORMA por Afonso Zao

Cabinda: “Pronto a negociar a paz – Em Portugal, Luanda, no Céu ou no Inferno”, diz líder da FLEC-FAC

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