Bolsonaro vai ser alvo de impeachment? - Plataforma Media

Bolsonaro vai ser alvo de impeachment?

Sergio Moro saiu do governo ao ataque. Bolsonaro defendeu-se. O ex-ministro contra-atacou com provas. O duelo passa agora para o Supremo Tribunal Federal, para o Congresso e, quem sabe, para as urnas.

10 respostas a 10 perguntas sobre a crise política.

Por que Moro saiu do governo?

Porque Bolsonaro pressionou para trocar o diretor-geral da polícia federal Maurício Valeixo, homem de confiança do agora ex-ministro.
Porque o presidente lhe admitiu que queria interferir politicamente em investigações.
Porque Bolsonaro não cumpriu a promessa, feita publicamente na altura do convite para o cargo, de lhe dar carta-branca para escolher equipa.

O que disse Bolsonaro sobre as acusações?
O presidente da República disse que Moro só se preocupa “com o próprio ego”.
Negou ingerências em investigações onde ele, os filhos ou outros aliados estivessem envolvidos mas, ao defender-se, acabou dando exemplos de iniciativas suas no sentido de interferir em processos em curso, como no caso da execução de Marielle Franco, entre outros.
E acusou Moro de aceitar a saída de Valeixo, desde que lhe fosse garantida uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem diz a verdade?
Aparentemente Moro: após os discursos de ambos, mostrou ao Jornal Nacional, da TV Globo, uma troca de mensagens comprometedora para Bolsonaro.
Nela, o presidente coloca o link de uma notícia a dizer que 12 bolsonaristas estavam sob suspeita da polícia num caso de investigação de uma rede de fake news supostamente liderada pelo filho e acrescenta a frase “mais uma razão para a troca”.

Quem é Alexandre Ramagem, o escolhido de Bolsonaro para dirigir a polícia?
É o atual diretor-geral da Agência de Inteligência do Brasil.
Foi segurança na campanha de Jair Bolsonaro e tem relação íntima com os seus filhos.
O senador Flávio Bolsonaro, primogénito do presidente, é investigado pelas práticas de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro num caso de desvio de verba público enquanto vereador do Rio.
O vereador Carlos Bolsonaro, segundo filho do presidente, é considerado o líder do oficioso “gabinete do ódio”, com sede no Palácio do Planalto, a quem é atribuída a disseminação de notícias falsas investigadas no caso das fake news.

Como fica o governo com a saída de Moro?
As próximas sondagens serão determinantes para medir os estragos mas ao que tudo indica com a aprovação mais baixa de sempre desde a posse.
“Se Moro sai, não há governo”, chegou a dizer o principal conselheiro do presidente, general Augusto Heleno, em setembro, a propósito de outra crise entre os dois.
Moro era o ministro mais popular e a garantia, segundo a maioria dos apoiantes do governo, de que Bolsonaro estava comprometido com o combate à corrupção.
Para o seu lugar, entretanto, é especulado o nome de Jorge Oliveira, amigo pessoal do clã Bolsonaro e já no executivo como ministro da presidência.

Como fica Moro com a saída do governo?
Não pode voltar à carreira de juiz mas pode advogar.
Politicamente, é considerado em muitos setores o mais forte candidato de direita às eleições de 2022.

Em que é que Bolsonaro queria interferir?
Segundo a maioria dos observadores, os casos que mais o preocupam são o dos crimes cometidos pelo filho mais velho, Flávio, em andamento nos tribunais; o da disseminação de fake news investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional; e o da autoria e financiamento das manifestações ilegais contra a democracia a que compareceu – e em que discursou – no domingo dia 19.

A atuação de Bolsonaro, descrita por Moro, pode gerar impeachment?
Procuradores de justiça ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo falam em sete crimes: de responsabilidade, de falsidade ideológica, de prevaricação, de coação, de corrupção, de advocacia administrativa e de obstrução de justiça.
E “crimes de responsabilidade”, segundo a lei, “são passíveis de perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública”.

João Almeida Moreira 30.04.2020

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