Templo de A-Má. Património mais antigo de Macau está às moscas - Plataforma Media

Templo de A-Má. Património mais antigo de Macau está às moscas

Terça-feira. Dia soalheiro. À porta do templo, um varredor limpa a calçada portuguesa. O Plataforma foi até ao Templo de A-Má – monumento listado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade – reportar o ambiente que por ali se vive diariamente em tempo de pandemia Covid-19.

Neste momento, o mais antigo monumento do território é uma imagem pálida do que, ao longo dos tempos, nos foi habituando. Durante a hora que por ali estivemos, entraram no templo sete pessoas. O ritual foi sempre o mesmo: comprar incenso e pedir aos deuses.

Dessas sete pessoas, apenas três subiram aos pontos mais altos do templo. Para quem não sabe, o Templo de A-Má foi construído numa encosta, sendo que a entrada principal do complexo se situa ao nível do mar, com dois pavilhões no piso térreo, mas depois é sempre a subir pelas várias opções de escadaria que nos são oferecidas até ao ponto máximo do declive natural da encosta da Colina da Barra, onde se situa o Pavilhão de Guanyin.

Despido. Quem conhece o Templo de A-Má pode chegar à fácil conclusão que só um grave problema como uma guerra ou uma pandemia, por exemplo, poderia deixar vazio aquele espaço que, durante dois anos, esteve parcialmente encerrado devido a um grave incêndio no Pavilhão Zhengjiao Chanlin, em 2016, motivado por um curto-circuito numa lâmpada.

Por estes dias, é difícil sentir o cheiro a incenso no ar, algo que em condições normais até nos deixa com dificuldade de respirar, tantas são as queimas que ali ocorrem.

A pandemia do novo coronavírus parou o mundo. E parou, em parte, Macau. A maior parte dos visitantes de locais como o Templo de A-Má ou as Ruínas de São Paulo são turistas e não locais. E isso é bastante notório por estes dias. Até ao momento o território teve 45 casos de infecção pelo SARS-CoV-2 e há duas semanas não tem qualquer novo caso.

O Templo de A-Má, que se situa na encosta poente da Colina da Barra, já existia antes da chegada dos portugueses ao território e consequente estabelecimento da cidade de Macau. Julga-se que a estrutura original date de 1488. Historiadores crêem que o nome “Macau” tenha derivado do chinês “A-Ma-Gau”, que significa “Baía de A-Má”, onde está situado o templo com o mesmo nome. É composto pelo Pavilhão do Pórtico, o Arco Memorial, o Pavilhão de Orações, o Pavilhão da Benevolência, o Pavilhão de Guanyin e o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin. Trata-se de um caso exemplar da cultura chinesa inspirado pelo confucionismo, pelo taoismo, pelo budismo e por múltiplas crenças populares.

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