A saga da princesa saudita encarcerada por criticar o regime - Plataforma Media

A saga da princesa saudita encarcerada por criticar o regime

Durante anos, Basmah bin Saut, filha do segundo rei da Arábia Saudita, foi vista como a rebelde da família real, aquela que ousava ter uma voz crítica do regime, defensora das mulheres e dos oprimidos. Como nos conta hoje o The New York Times, a princesa parecia levar sempre a sua avante, até março de 2019, quando desapareceu para parte incerta.

Esta semana, o mistério foi resolvido pelo “reaparecimento” da própria com um post no Twitter que, entretanto, já foi apagado. Basmah confirmou o que já muitos suspeitavam: está presa numa prisão do Reino, por ordens da família, sem qualquer acusação formal.

A princesa deixou um apelo pungente no seu post, que foi retirado na sexta-feira: “Fui raptada sem qualquer explicação com uma das minhas filhas e atirada para a prisão. Libertem-me que não fiz nada de mal”. A suplica por libertação é dirigida ao rei da Arábia Saudita e reforçada pela “necessidade urgente de cuidados médicos” que a princesa diz ter.

A razão para a sua prisão não foi tornada clara mas parece encaixar-se num padrão do regime saudita, que tem punido com mão de ferro cidadãos proeminentes que se desviam publicamente da linha do governo. A detenção da princesa é um de dois casos de membros da realeza detidos durante a ascensão do atual príncipe regente do reino, Mohammed bin Salman.

No último mês, o príncipe Faisal bin Abdullah, também filho de um rei saudita, foi detido e a sua família ficou sem qualquer pista sobre para onde foi levado ou onde está preso, segundo adiantaram membros do seu clã ao The New York Times.

Desde que o seu pai, Rei Salman, ascendeu ao trono em 2015, o príncipe Mohamed lançou uma feroz perseguição a membros da família real que mandou encarcerar, enquanto consolida a sua posição como regente.

Mohamed bin Salman tem estado no centro de várias críticas internacionais, algumas feitas por ativistas que foram presos depois de terem feito campanha pelos direitos das mulheres na Arábia Saudita. O maior escândalo foi, todavia, o assassinato do jornalista dissidente saudita Jamal Khashoggi, morto por agentes sauditas no consulado do reino em Istambul, Turquia.

Pelo menos 11 príncipes foram detidos no Riyadh Ritz-Carlton em 2017 e acusados de corrupção. Um deles, Turki bin Abdullah, ainda está detido. O antigo príncipe herdeiro, Mohammed bin Nayef, um primo de Mohammed com quem este disputava o poder, foi colocado em prisão domiciliária antes de ser detido no último mês, juntamente com um dos tios do regente.

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