HOMO HOMINI LUPUS - Plataforma Media

HOMO HOMINI LUPUS

O coronavírus acordou, rebentou e espalhou-se urbi et orbi. Pôs-nos a todos a encolher as patinhas e obrigou-nos a repensar a nossa dimensão e o nosso papel entre os seres vivos, incluídos os micro-organismos do planeta. Somos uns abusadores da natureza, donde viemos e a que pertencemos, embora, nesta parte, nos façamos de chico-espertos, fora de série. A vida existe na Terra há mais 4 mil milhões de anos, o homem apareceu há 350 mil anos, andou 150 mil a fazer macaquices e há 200 mil começou o período da descoberta, de mãos dadas com a destruição e a asneira. Enquanto a natureza, interactiva, equilibrada e coerente, ia resolvendo as semelhanças e as contradições biológicas dos seres vivos e adoptando uma coabitação nem sempre harmoniosa, o homem ia-se libertando da escuridão, da fome e da doença, criava a troca e o comércio e venalizava tudo o que encontrava ou inventava. A desertificação provocada, a expansão urbana desordenada, a ocupação do solo arável, a invasão desbragada da natureza, a caça sem critério, a expulsão da
fauna e da flora do seu espaço natural, a voraz desarrumação ambiental, a promiscuidade irresponsável, mas lucrativa, entre espécies que tinham os seus habitates próprios, as mutações biogenéticas laboratoriais ou negligentemente induzidas, a par com “o dinheiro é tão bonito, tão bonito o maganão”, como dizia o poeta algarvio, mais a deglutição insaciável, sem princípios nem limites, para apaziguar a fome de séculos ou o luxo do exótico, provocam de tempos-a-tempos reacções da natureza, uma espécie de purga para a regeneração, uma vingança muda, um aviso a orelhas moucas (que ora se assomam às varandas), uma resposta de inundações, fogos perenes, avanços do mar, esquadrões de vírus desconhecidos ou geneticamente modificados, uma alegria! A natureza reage, os vírus vão varrendo a face da terra, o super-homem come batatas de pacote, atira-o para as linhas d’água e fenece às mãos de um micro-organismo que provocou! Boa! A propensão marginal do aprendiz de feiticeiro para a sua auto-extinção! Homo homini lupus, diziam os romanos. Que grandes Brutus!

Frederico Rato 20.03.2020

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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