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Mais cultura e recursos humanos

As expectativas de representantes das comunidades portuguesa e macaense face à visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva

Figuras das comunidades portuguesa e macaense de Macau dizem esperar um foco na diplomacia cultural e nas necessidades de recursos humanos do Consulado-Geral de Portugal, durante a visita do Ministro dos Negócios Estrageiros (MNE) de Portugal à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Augusto Santos Silva tem marcada chegada à cidade esta noite. Santos Silva manterá contactos oficiais com as autoridades locais ao longo do dia de amanhã, dia em que também oferecerá uma recepção à comunidade, estando prevista também uma visita à Escola Portuguesa de Macau e ao Festival da Lusofonia, que decorre este fim-de-semana nas Casas Museus da Taipa.
Santos Silva está hoje em Cantão para a inauguração oficial do Consulado-Geral de Portugal na capital da província vizinha. José Pereira Coutinho, conselheiro das comunidades portugueses eleito pelo círculo da China continental, Macau e Hong Kong, disse ao PLATAFORMA que já teve a oportunidade de se encontrar com o Cônsul português em Cantão para lhe dar conta de preocupações relativamente à importância de agilizar a concessão e vistos e também no que diz respeito à necessidade de recursos humanos. Em Macau, a questão da mão-de-obra suscita um foco especial por parte de Coutinho. “Relativamente a Macau não há dúvidas que é preciso aumentar os salários do pessoal do Consulado porque com os salários que estão a ser praticados dificilmente se pode manter a estabilidade”, salientou.
Miguel Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses e da Associação para a Promoção da Instrução dos Macaenses, espera que a vinda do chefe da diplomacia portuguesa possa contribuir para laços mais fortes entre os dois lados. “É desejável uma maior aproximação a Macau não só por causa da China, mas também por ser Macau e é fundamental que Macau não se resuma a ter sido um bom negócio”, afirmou ao PLATAFORMA. Senna Fernandes quer uma aposta mais forte na cultura. “A História de Macau envolve uma certa empatia e a cultura é a chave para se tirar proveito desta simbiose”, enfatiza, rematando que “é preciso fazer mais”.
A visita de Santos Silva a Macau surge dias depois da entrada em funções do novo Cônsul-Geral de Portugal, Paulo Cunha Alves. Para o cientista político e presidente do Fórum Luso-Asiático, Arnaldo Gonçalves, este é o momento ideal para que Portugal tenha em Macau uma abordagem mais solene na sua relação com a China. “Portugal deve ter alguma solenidade para que os assuntos sejam encarados de uma forma séria pelo que tem que haver um distanciamento”, argumenta. Arnaldo Gonçalves observa que “Portugal deve acompanhar a situação em Macau com atenção”, mas com uma postura diferente daquela que pauta a ação do Reino Unido face a Hong Kong.
O MNE português segue no domingo para Pequim, onde irá ter encontros diplomáticos no âmbito da preparação da visita do presidente chinês Xi Jinping a Portugal, prevista para o início de dezembro.

José Carlos Matias 19.10.2018

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