A vez e a voz do Brasil - Plataforma Media

A vez e a voz do Brasil

Desde a criação do Fórum para Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa que o Brasil se colocou à margem das dinâmicas liderantes deste processo. Esteve durante grande parte destes 15 anos numa posição expectante, manifestando, na maior parte do tempo, alguma indiferença. Foi desta forma que a atitude brasileira perante Macau e o Fórum foi entendida pela esmagadora maioria dos intervenientes e observadores. Isto mesmo era materializado no nível de representação governamental enviado às conferências ministeriais (em comparação com os restantes países membros), na quase ausência de visitas de governantes à região e no facto de não ter tido um representante verdadeiramente permanente no Secretariado do Fórum durante estes três quinquénios. Foi assim até que, desde há uns meses a esta parte, tudo começou a mudar. O interesse do Brasil pelo Fórum e por Macau como plataforma finalmente começou a despertar. O primeiro sinal foi dado pelo Embaixador do Brasil em Pequim, que quando esteve em Macau em março para um evento comemorativo do 15º aniversário do Fórum, trouxe consigo um discurso mais afirmativo, com sentido estratégico e empenho. Isso mesmo foi traduzido, primeiro com a nomeação de um delegado permanente junto do Fórum – com base em Hong Kong, mas com um contacto bem mais regular e  próximo que os seus antecessores – e, depois, com a visita do Secretário para os Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento do Brasil ao Fórum Internacional de Infraestruturas. 

Neste contexto, a visita desta semana do Secretário para a Economia e Finanças Lionel Leong a Brasília e ao Rio de Janeiro cimenta aquilo que parece estar a emergir: uma nova abordagem do Brasil a Macau e ao Fórum e um posicionamento da RAEM como foco de interesse para o Governo e empresas brasileiras. É aqui que está a chave. Há, contudo, que dar seguimento a este clima de modo a que não resulte em desilusão. Um Brasil mais forte a activo no Fórum e na relação com a China através de Macau traz benefícios a todas as partes. Do Brasil vem uma outra escala, capacidade tecnológica e capital humano, tenha Macau a mente e a porta abertas. Os restantes países membros têm, neste contexto, uma  oportunidade para redobrar esforços e empenho no projeto do Fórum. Desde logo Portugal, que tem sido alvo de um intenso interesse da China e de Macau, como ficou, de resto, patente na visita na semana passada das delegações lideradas por Lionel Leong e Edmundo Ho a Lisboa. Neste abraço transoceânico da China ao espaço da lusofonia, o jogo é claramente de soma positiva ainda que com ganhos relativos diferenciados. 

José Carlos Matias  29.06.2018

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