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Mães de ontem e de hoje

Embora o Dia da Mãe calhe num domingo, em redes sociais como o Weibo e o WeChat não faltaram textos e agradecimentos. Naturalmente, todos nascemos graças à nossa mãe, por isso, se não formos nós a agradecer, quem irá fazê-lo por nós? Desde antigamente até aos dias de hoje, pessoas de várias nacionalidades, etnias e culturas celebram neste dia os 9 meses de gestação e todo o carinho e sabedoria que cada mãe lhes transmitiu. Nos mais de 5 mil anos de história da China, não foram poucas as mães que marcaram a história. Algumas das mais conhecidas são as “mães dos três virtuosos”, a mãe de Mêncio, a mãe de Yue Fei e a mãe de Xu Shu. A mãe de Mêncio não deixou que este recebesse más influências, e por isso mudou de casa três vezes para garantir que ele receberia a melhor das educações. Xu Shu, conselheiro militar de Liu Bei, por acreditar que a sua mãe tinha sido capturada por Cao Cao, juntou-se a ele. Todavia, a sua mãe, de forma a que ele pudesse voltar a lutar do lado de Liu Bei, cometeu suicídio. Por fim, Xu Shu não conseguiu abandonar Cao Cao, mas jurou nunca abrir a boca para o servir. No caso de Yue Fei, foi a sua mãe que lhe transmitiu o sentimento de lealdade para com a sua nação, e ela própria tatuou nas costas do seu filho a frase “lealmente servir a nação”. Esta história foi também mencionada pelo atual presidente chinês, Xi Jinping. O próprio, quando questionado sobre as suas obras literárias favoritas, mencionou Yue Fei e a história que a sua mãe lhe contou quando tinha 5 ou 6 anos. 

Embora estas mães sejam figuras históricas da antiguidade, a forte figura materna ainda persiste nos dias de hoje. Em Macau temos, por exemplo, Lu Muzhen, mulher de Sun Yat-sen e mãe de Ho Yin. Lu Muzhen foi a primeira mulher de Sun Yat-sen, e apelidada de “mãe da China”. Como forma de apoio ao seu trabalho revolucionário, divorciou-se de Sun Yat-sen e mudou-se para Macau (onde agora se encontra a Casa Memorativa Sun Yat-sen). No ano de 1952, faleceu e foi sepultada no Cemitério São Miguel Arcanjo. 173 anos depois, no ano de 2005, os seus restos foram transportados para a cidade de Zhongshan (nome em mandarim de Sun Yat-sen). A mãe de Ho Yin, líder chinês de Macau, era também avó de Edmund Ho, antigo Chefe do Executivo de Macau. No ano de 1927, no Jardim de S. Francisco, Ho Yin construiu em sua homenagem a Biblioteca Pública da Associação Comercial de Macau, existindo dentro dela dois retratos de sua mãe. 

Tanto as “mães dos três virtuosos” como as “mães de Macau” partilham as mesmas características. Pelos seus filhos, a sua própria carne e osso, são capazes de sacrificar tudo. Será possível ser filho e não sentir gratidão para com tal figura? 

DAVID Chan  18.05.2018

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