Criatividade à prova - Plataforma Media

Criatividade à prova

Criativos, artistas e jovens empresários falam das dificuldades em manter negócios relacionados com as indústrias criativas e culturais. Apesar dos incentivos do Governo, não é fácil SUBSISTIR.

O “Village Mall” foi inaugurado em janeiro de 2017 e esteve em funcionamento até abril deste ano, nos três pisos do Broadway Centre. No mês passado, foi reduzido para apenas um piso. O responsável pelo espaço, Window Lei, afirma que não vai desistir do sonho de criar um projeto criativo comercial em Macau, estando já a planear abrir um novo espaço na Avenida de Almeida Ribeiro.

Numa visita ao “Village Mall” pudemos comprovar que, nos dois primeiros pisos do edifício, em dez há nove lojas vazias. Window Lei explica que o espaço está vazio devido a diferenças entre o comité de gestão e o dono do espaço, que deixou de autorizar a organização de feiras e outras atividades. Foi este problema que levou a que o espaço de Window Lei, depois de algum tempo em funcionamento, tenha encerrado nos dois primeiros pisos. A restrição por parte do proprietário fez com que o número de visitantes diminuísse e que vários lojistas abandonassem o edifício, afetando a imagem do “Village Mall”.

“Continuamos a dar o nosso melhor”, disse Window Lei ao PLATAFORMA. Atualmente, o espaço só está em funcionamento no 3º piso – ocupado com restaurantes, estúdios e ateliês -, sendo que algumas lojas que estavam localizadas noutros pisos estão agora no terceiro.

Apesar de manter o projeto no Broadway Centre, Window Lei está a desenvolver um novo projeto no Centro de Turismo, da Avenida de Almeida Ribeiro. O empresário arrendou um edifício de seis andares, adotando “um método de trabalho completamente diferente”. “Na cave iremos criar um mercado local, com vários produtos de Macau como o galo da sorte ou o soda panda, assim como produtos mais característicos como peixe salgado ou balichão, e outros de consumo básico. No primeiro piso estarão à venda produtos artesanais e antiguidades, tal como café local. No segundo piso vai haver um estúdio de dança e espaço para empresas de design. O último será dedicado à organização de feiras”, explicou Window Lei ao PLATAFORMA.

A diferença entre este espaço e o “Village Mall” é que neste caso o espaço comercial é aberto, ao contrário do anterior que estava dividido em várias pequenas lojas; não funciona por arrendamentos, mas sim como sociedade; e está localizado num local muito turístico. “No primeiro espaço, todos os intervenientes assumiram uma atitude muito independente. Neste, todos trabalham em conjunto para um objetivo comum”, sublinha Window Lei.

A ambição é que o projeto promova produtos criativos de Macau no mercado internacional. “O mercado de Macau é pequeno por natureza, por isso queremos aproveitar o projeto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Esperamos que este mercado local e os seus intervenientes possam, através deste projeto, desenvolver a sua posição no mercado”, disse Lei.

Exigências de mercado

Johnny Wong, à frente da loja local “Creative Spot Macao”, defende que gerir uma loja de produtos locais não é fácil e que o conceito de “produtos culturais locais” é desafiante. “Muitos criadores deste tipo de espaços [centros ou associações de lojas culturais] afirmam que os seus produtos são exclusivamente locais e originais. Não é que eu não acredite, mas será que têm a capacidade de abrir a sua própria loja? Duvido. Gerir a produção e qualidade de cada produto não é tarefa fácil, ainda mais quando para muitos deles [artistas e vendedores] se trata apenas de um emprego secundário. Se não abrem a sua loja, que podemos nós fazer?”.

O “Creative Spot Macao”, perto do Hospital Kiang Wu, reúne produtos de origem local e internacional. Embora a localização não seja a melhor, o espaço foi gradualmente atraindo o interesse dos locais, sendo a procura cada ver maior.

O humor é um dos fatores que determina a escolha dos produtos da loja, onde se encontram diferentes objetos a um preço atrativo. O objetivo é começar a produzir produtos próprios. Por agora, está a ser considerado o alargamento do espaço, tendo como cliente-alvo turistas que visitam Macau.

“Para Macau se tornar na cidade cultural e criativa que deseja precisa de alguns produtos característicos. O nosso objetivo não é apenas produzir para Macau, pois quando se produz algo bom, haverá gente em qualquer parte do mundo disposta a comprar”, disse Johnny Wong.

Fortes Pakeong Sequeira, artista local, está também a gerir um pequeno complexo criativo, chamado “A Porta da Arte”. O espaço está localizado na Rua dos Ervanários, no que antes era uma fábrica de ferro branco. Fortes Pakeong Sequeira decidiu investir por “Macau ainda não possuir uma plataforma criativa estável e porque os locais ainda não veem a cultura como uma indústria”.

“Não estou sozinho. Há muita gente com interesses semelhantes aos meus. Se nos juntarmos, podemos criar algo novo”, acredita o artista. Pakeong Sequeira diz que escolheu a localização e o edifício porque quer trazer uma nova vida para uma zona histórica.

“A Porta Da Arte” conta com um Triangle Coffee Roaster, e junta obras artesanais locais e estrangeiras. O espaço é também constituído por ateliês de joalharia e estúdios de maquilhagem. Pretende-se ainda que no terraço do edifício sejam organizadas várias atividades, como clubes de leitura e workshops.

O espaço abriu portas em março e contou com apoio monetário do Fundo das Indústrias Culturais de Macau, no valor aproximado de 2,5 milhões de patacas. Fortes Pakeong Sequeira admite que sem o apoio do Governo seria difícil pôr em prática o projeto.

Agora, ressalva o artista, o desafio é manter o espaço. “O problema não está na nossa tecnologia e design, mas sim na falta de compradores. Ter lucro também é uma tarefa difícil. Macau não possui muitos recursos e por isso os custos de produção são altos. Todavia, a situação está mais equilibrada agora. Ao início achava que iria ser uma luta constante, mas os resultados são visíveis e encorajadores”, realça Pakeong Sequeira.

Shao Hua  04.05.2018

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