Um Congresso Nacional inesquecível (1) - Plataforma Media

Um Congresso Nacional inesquecível (1)

O 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China terá lugar na próxima semana, e devido à ascensão da China nos últimos anos, tendo o país um peso relevante na balança internacional, o evento é alvo de grande atenção, estando prevista a presença em Pequim de inúmeros jornalistas dos meios de comunicação internacionais. Na minha carreira jornalística de mais de 50 anos, relatei por seis vezes o Congresso Nacional, e desloquei-me cinco vezes a Pequim para esse efeito. Neste 19º Congresso Nacional, devido ao peso da idade, não tendo já a força que tinha nos anos anteriores, não me deslocarei ao local.

A primeira vez que o Congresso Nacional esteve aberto aos jornalistas do estrangeiro, Hong Kong, Macau e Taiwan foi em 1987, no 13º congresso. Na altura, a China era ainda conhecida no Ocidente como a “cortina de bambu”, o que ainda assim era melhor do que o termo “cortina de ferro” usado para países comunistas como a União Soviética, Jugoslávia ou Albânia.

Em 1987, a economia chinesa ainda não tinha iniciado a sua rápida ascensão, e a vida da população era extremamente difícil. Para o congresso desse ano, os jornalistas de Hong Kong e Macau ficaram todos alojados no Hotel Minzu no lado ocidental da Avenida Chang’an. Na altura, havia cerca de cinquenta e poucos jornalistas de Hong Kong, e os jornalistas dos meios de comunicação de Macau também não eram muitos. Calculo que estivessem entre eles o Lai Seng Pui do jornal Ou Mun, Lau Sio Chun do Tai Chung Pou e Cheong Chi Seng da TDM, enquanto eu fui como jornalista da Rádio Macau em língua chinesa.

Sendo a China continental conhecida na altura como a “cortina de bambu”, era também a primeira vez que jornalistas de Hong Kong e Macau tinham a oportunidade de presenciar o congresso do partido vigente deste misterioso país. Contudo, apesar de alguns receios iniciais de vigilância ou monitorização, a atividade dos jornalistas de Hong Kong e Macau foi bastante livre. Houve até uma vez em que, devido à equipa de futebol de Hong Kong ter vencido um jogo em Pequim contra a equipa nacional, muitos jovens se reuniram em Tiananmen, insatisfeitos, causando alarido, e os jornalistas de Hong Kong e Macau fizeram um caminho de dois quilómetros a pé, passando pelo Portão Xinhua (sede do Governo central) para tirar fotografias e efetuar entrevistas, não tendo havido qualquer obstrução.

Em 1987 a China continental ainda não tinha implementado as políticas nacionais de reforma e abertura propostas por Deng Xiaoping, porém, no 13º congresso, o ambiente dentro e fora do Grande Salão do Povo era bastante relaxado e livre. Na noite anterior ao início do congresso, por exemplo, um secretário organizou uma festa de boas-vindas, permitindo a Zhu Muzhi, porta-voz da imprensa, encontrar-se com os jornalistas chineses e estrangeiros (Zhu tornou-se posteriormente no primeiro diretor do Gabinete de Informação do Conselho de Estado, e encontrei-me mais uma vez com ele em 1991 no gabinete em Yayuncun, Pequim). Esteve também presente Wu Jianmin do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e os dois conversaram alegremente com os jornalistas. Os dois foram extremamente educados, respondendo a todas as questões sem reservas, uma situação que trouxe uma lufada de ar fresco aos jornalistas de Hong Kong e Macau. 

DAVID Chan 

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