Imobiliárias dizem que mercado está “mais saudável”

por Arsenio Reis

O mercado de habitação acompanha a retoma do crescimento económico de Macau. Preços e vendas de casas estão desde o ano passado em rota ascendente, com aumentos acima dos 20 por cento no valor do metro quadrado nos primeiros meses deste ano.

 As agências do sector imobiliário defendem que o mercado está mais saudável e que, apesar da recuperação, a atual subida não deverá ocorrer ao ritmo das de anos passados.

No primeiro trimestre deste ano, o preço do imobiliário para habitar cresceu cerca de 24 por cento, para uma média de 90,429 patacas por metro quadrado, de acordo com dados dos Serviços de Finanças referentes à liquidação do imposto de selo. No mesmo período, a venda de habitações subiu em 83 por cento, com mais de 2,300 fracções. 

A tendência dos primeiros três meses de 2017 procede da já verificada em 2016, ano de recuperação no número de habitações transaccionadas, com um incremento de 76 por cento por comparação com os números de 2015. No conjunto do ano passado, os valores de venda destes imóveis registavam ainda uma quebra de 1,4 por cento, com base nos preços médios do metro quadrado das estatísticas disponíveis. 

As vendas “definitivamente aumentaram em comparação com o mesmo período do ano passado”, diz o responsável da Jones Lang LaSalle, Jeff Wong,  até porque, em 2015, “deu-se o pior período do mercado, dado o declínio da indústria do jogo”. Em 2016, com a estabilização do sector VIP nos casinos, bem como a recuperação do mercado de massas, “a economia melhorou”. Assim, também o mercado imobiliário “melhorou”, sobretudo “o volume de transações”, ainda que, no que toca aos preços, “a subida tenha sido muito ligeira”, em comparação com o ano passado. “Agora há mais imóveis no mercado, o volume de transações está a subir, o mercado está saudável”, diz, referindo que “mais pessoas podem agora comprar”.

Quanto ao arrendamento, Jeff Wong refere que perante a abertura de mais hotéis-casinos recentemente, e a curto prazo, há mais trabalhadores importados no território, mas que esse número parece agora ter “estabilizado” por já estarem em andamento os projetos. Isso significa que “também o mercado de arrendamento estabilizou”, além de haver uma maior oferta de frações. “Neste momento, o arrendamento está a subir, mas de acordo com a inflação, que está nos 4 por cento — não está a subir 20 por cento”, diz. 

Sobre se essa será a tendência a longo prazo no mercado de venda e de arrendamento, Jeff Wong diz que é difícil prever. Porém, dadas as taxas de casamento e de natalidade, parece que a procura e oferta estão bastante equilibradas. Os investidores parecem menos entusiasmados, dadas as transformações na economia. “Não se espera que as receitas do jogo subam aos níveis anteriores, ou que o sector VIP regresse aos bons velhos tempos”, declara. Além disso, Macau encontra-se agora a desenvolver outras áreas, como o sector de convenções e o retalho, que “nunca crescerão tão rápido como o sector VIP [de jogo]”, sendo, por isso, “difícil” voltar a ver as vendas de frações “a níveis tão loucos como os de 2013”. 

Segundo Wong, as pessoas parecem “mais prudentes”, até porque “o aumento das taxas de juro nos próximos anos afeta as hipotecas e o poder de compra dos locais”. Já em relação ao arrendamento, dado que o número de trabalhadores importados também se encontra “estável”, e dada a conclusão de mais apartamentos nos próximos dois anos, “deverá haver mais frações para arrendamento”, não se antevendo “muita pressão para subir as rendas”.

Sector pede mudanças no crédito

Por seu turno, a diretora da Ricacorp, Jane Liu, diz já ter conclusões em relação às estatísticas disponíveis. “Apercebemo-nos de que 48 por cento dessas transações são de frações no valor de três milhões a cinco milhões de patacas, e que a idade das propriedades situa-se nos 21 aos 30 anos”, declara, acrescentando: “No mercado, a maioria dos clientes, compra frações para usar, não são investidores. O valor revela que não têm dinheiro suficiente para a entrada.”

As atuais regras de crédito à habitação, numa tentativa da Administração de travar a especulação e conter riscos,  determinam que os bancos emprestam metade do valor dos imóvies, se o preço das frações se situar entre seis milhões e oito milhões de patacas, enquanto que nas frações cujo preço varie entre os três milhões e os cinco milhões de patacas, esse valor sobe para 70 a 90 por cento. “É por isso que no caso destas últimas, as pessoas têm dinheiro suficiente para comprá-las”, diz. Assim, a diretora da Ricacorp sugere que o Executivo altere estes montantes e as percentagens, de forma a que outros tipos de casas possam ser transacionadas. “Haveria mais hipóteses e o negócio não se concentraria apenas em certos preços”, declara, realçando que o “mercado no geral seria mais saudável”. 

Por outro lado, diz, não parece agora haver uma mudança de postura por parte dos investidores. Atualmente, a maioria das frações é comprada por aqueles que ali querem residir. “Ainda que a economia esteja melhor, não está tão bem como dantes, dado que as receitas do jogo não são tão altas, são estáveis, não se vendo muitos investidores interessados”, afirma.

Sobre o mercado de arrendamento, Jane Liu diz que os “valores subiram um pouco, mas não demasiado”. Em Taipa e Coloane, onde se situa a maior parte das novas frações, não se veem “grandes subidas — talvez as rendas estejam 1 ou 2 por cento mais altas”, sobretudo porque “a oferta é estável” e a “procura é normal”. E não é expectável que tal cenário mude “rapidamente”.

Recorde-se que os preços do imobiliário começaram a cair no início de 2015, registando-se desde então flutuações. Em 2015, o preço médio do metro quadrado das casas em Macau caiu 13 por cento para 86,826 patacas, face a 2014. 

Os casinos de Macau fecharam esse ano com receitas de 230,84 mil milhões de patacas, uma queda de 34,3 por cento face a 2014. Tratava-se então do segundo ano consecutivo de quebra das receitas dos casinos depois de, em 2014, terem sofrido uma diminuição de 2,6  por cento. 

Luciana Leitão

Pode também interessar

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!