Corrida financeira

por Arsenio Reis

Os bancos sabem o que lhes espera: leasing, seguros à exportação… e outros produtos financeiros transfronteiriços. Por vezes o óbvio precisa de um empurrão – Lionel Leong está a dá-lo. O secretário para a Economia e Finanças trabalha nos bastidores com os operadores bancários e a Autoridade Monetária para dar corpo a uma das redes privadas que tem mais interesse na montagem da plataforma. Está longe de estar só. Esta semana teve lugar em Lisboa a conferência “Macau – Uma Ponte da Relação Económica entre a China e Países de Língua Portuguesa”. A Fundação Jorge Álvares – lá faz alguma coisa com o dinheiro que levou de Macau – convenceu o presidente Marcelo Rebelo de Sousa a dar alta dignidade institucional ao tema. A corrida está lançada em várias pistas.  

Quando há dois anos a sucursal de Macau do Banco da China abriu um gabinete dedicado aos negócios com os países lusófonos, deu um sinal muito claro sobre as intenções de Pequim. Nem todos terão percebido, mas entra pelos olhos dentro. O Banco Nacional Ultramarino, historicamente competitivo nesta área, dada a rede lusófona da Caixa Geral de Depósitos, depressa avançou para um protocolo de cooperação com o Banco da China; Pedro Cardoso, que preside à instituição, assume um discurso cristalino sobre essa prioridade. O BCP entra agora na corrida e a recente capitalização por via do novo acionista chinês – Fosun – traz muito mais do que dinheiro fresco. Há uma pista clara de ambição lusófona, com sinais já visíveis em Moçambique, Angola e Brasil – e em muito pouco tempo. Não se sabe o que vai acontecer ao Novo Banco em Macau, pois apesar do envolvimento da família Ma, a Autoridade Monetária tarda em credibilizar o investidor da China Continental. Contudo, seja qual for este desfecho, há aqui outra evidência: os altos valores envolvidos só fazem sentido no contexto de uma operação lusófona, muito para além dos mercados financeiros local regional. 

Há muito que defendo três prioridades para afirmar Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa: redes jurídicas, comunicacionais e financeiras. Se não era ainda óbvio, pelo menos começa a parecer.

Paulo Rego        

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