Reformas ajudam a potenciar crescimento

por Arsenio Reis

A economia chinesa cresceu 6,7 por cento em termos homólogos no ano de 2016, o seu crescimento mais lento em 26 anos. Contudo, situou-se mesmo assim dentro da meta anual do governo, segundo mostraram dados oficiais publicados no último dia 20.

Isso significa que manter o crescimento económico continuará a figurar no topo da agenda económica da China em 2017. Alguns poderão argumentar que uma vez que a economia chinesa tem mantido uma trajetória ascendente, as suas anteriores políticas fiscais proativas e monetárias relativamente flexíveis deverão ser terminadas. Contudo, a economia chinesa continua a abrandar e é necessário um certo volume de oferta monetária excedentária e contributos fiscais para manter o nível de crescimento económico exigido em 2017. A única meta económica quantitativa para o período do 13º Plano Quinquenal (2016-2020) consiste em duplicar até 2020 o rendimento disponível per capita do país relativamente ao nível de 2010. Para esse objetivo ser alcançado, a taxa de crescimento económico médio não pode ser inferior a 6,5 por cento durante o período de cinco anos.

Para tal, o governo deve subsidiar a subsistência dos cidadãos, como através do avanço da redução de existências imobiliárias nas cidades de terceiro e quarto escalão, uma das tarefas-chave enumerada durante a Conferência Central de Trabalho Económico para 2017. Para o alcançar, o governo deve deixar de restringir a sua redução de existências imobiliárias a apelos aos residentes rurais para que comprem habitação nas cidades enquanto fica aquém no que diz respeito a medidas para os incentivar a tal. O preço dos apartamentos nestas cidades situa-se geralmente entre os 3.000 yuans (347 dólares) e os 4.000 yuans por metro quadrado, e se um subsídio de 1.000 yuans por metro quadrado for oferecido aos compradores, isso poderá levar os residentes rurais a comprar casas nas cidades para efeitos de novo alojamento. Existe uma forte procura por aproveitar. Muitos jovens trabalhadores migrantes trabalham em cidades mas vivem nas suas terras-natais rurais porque não possuem capacidades económicas para comprar uma casa na cidade onde trabalham. A maioria deles escolheria mudar-se para uma cidade se tivesse o poder de compra para comprar uma casa e garantir que os seus filhos têm acesso à educação.

Se a potencial procura para a aquisição de habitação urbana por parte dos residentes rurais for totalmente libertada, as enormes existências de habitação do país serão rapidamente reduzidas e os proprietários irão consequentemente obter o dinheiro para pagar as dívidas aos bancos, o que irá por sua vez mitigar a pressão das dívidas incobráveis sobre os bancos. Os 700 mil milhões de yuans de subsídios para a atual área total de 700 milhões de metros quadrados em habitação por vender são algo possível para o país, e não podem ajudar a melhorar as vidas das pessoas mas também a facilitar o ajuste estrutural do país e a preservar o seu crescimento económico.

O país deve também tirar proveito dos seus ajustes estruturais para fazer avançar a reforma das empresas públicas, como através de conversões da dívida em capital. O Conselho de Estado, o conselho de ministros da China, formulou um documento de orientação destinado a promover tais conversões, pois trata-se de um passo necessário para a reforma das empresas públicas, já que no total elas possuem atualmente uma taxa de endividamento de 66 por cento e os seus meios económicos e estrutura de governação empresarial têm prejudicado a sua flexibilidade e vitalidade económica. Com este tipo de reformas e esforços, é esperado que o crescimento económico da China em 2017 ultrapasse o de 2016.

Yao Yang

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