A arte de animar a cidade - Plataforma Media

A arte de animar a cidade

calçadão junto aos Lagos Nam Van, espaço nobre em frente à sede do Governo – Palácio da Praia Grande – parecia perdido para a cidade. Os “karaokes” que ali em tempos funcionavam nunca foram capazes de atrair a população ou de verdadeiramente animar aquela zona da cidade. Durante a noite aquele espaço acabou por ser apropriado por grupos de pessoas com comidas e bebidas em sacos de plástico, de alguma forma indicando que haveria alguma apetência para o convívio naquele local, uma vez recuperado.

Há inclusivamente planos antigos de recuperação de toda a zona dos lagos, incluindo Nam Van e Sai Van, enquadrando toda a extensão da linha de água que passa pela Torre de Macau e segue em direção à Barra. Chegou aliás a ser projetado para a zona um mercado noturno; contudo, muito contestado durante a consulta pública lançada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, tendo o Executivo decidido não avançar nesse sentido.

Percebendo a indefinição e as críticas em relação ao relativo abandono de alguns espaços nobres da cidade, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, lançou já este ano o projeto Anim’Arte, que envolve Instituto Cultural (IC), Instituto do Desporto (ID), Direção dos Serviços de Turismo (DST) e Instituto de Formação Turística (IFT) com o objetivo declarado de promover a animação lúdica e cultural de vários desses espaços, com especial destaque para a zona dos lagos, na península de Macau, as Casas Museu da Taipa e as vivendas antigas da Avenida Coronel Mesquita, na zona norte da cidade.

No caso da Taipa, a linha das Casas Museu, espaço tradicionalmente muito apetecido, é anualmente utilizado para a Festa da Lusofonia, bem como circunstancialmente utilizado para vários eventos culturais e artísticos, aproveitando o magnífico palco ao ar livre com vista para a água. Contudo, não há estruturas nem de serviços que ali garantam um funcionamento diário capaz de servir a população residente ou de atrair mais turistas. Neste caso decorrem ainda estudos e conversas sobre a melhor forma de revitalizar o espaço que, segundo o gabinete de Alexis Tam, terá restaurantes, espaços para exposições e atividades culturais e outras atrações turísticas, prevendo-se também a dinamização das indústrias culturais e recreativas, ideia que molda todas as intervenções do Anim’Arte. Amélia António, presidente da Casa de Portugal – que deverá ali explorar uma das Casas Museu, com a marca de restauração Lusitanus – disse anteontem ao jornal Tribuna de Macau que essas conversas são ainda “inconclusivas”. Quanto ao calendário oficial, a expectativa é a de que o projeto avance em Outubro.

Nos Lagos Nam Van, a revitalização foi mais rápida e os espaços revitalizados abriram ao público a 3 de Junho. Durante a cerimónia de inauguração, Alexis Tam referiu que para transformar Macau num centro mundial de turismo e lazer, a indústria turística da cidade precisa de seguir um desenvolvimento diversificado, tendo na altura confirmado a intenção de estender o projeto também ao Lago Sai Van. O plano passa por ligar a zona ao corredor da Avenida Almeida Ribeiro (San Malo)  a fim de oferecer aos turistas uma alternativa à zona superpovoada da Praça do Leal Senado. Ainda no contexto do Anim’Arte, Alexis Tam anunciou na circunstância a possibilidade de dar a conhecer aos turistas a cultura portuguesa: “A ideia é tornar aqueles espaços num ambiente mais europeu, para que os turistas fiquem cá por mais tempo”. Entretanto, foi também anunciada uma novidade para a zona da Barra, no Porto Interior: “Vamos reavivar esses cenários do passado; vamos fazer uma remodelação nas pontes em frente da Barra e voltar a permitir a travessia de barco até Coloane. Desta forma, Macau pode aproveitar a sua costa”.

Regresso ao Lago Nam Van

As lojas abertas e a presença de pessoas, em permanência ou em passeio pela orla do Lago Nam Van, entre a Praça Jorge Álvares e o Centro Náutico da Praia Grande, dão ao local um ar fresco  e renovado. O espaço aberto ao público no início de Junho é composto por duas galerias de arte, um café, uma loja de roupa, outra de artesanato, um espaço lúdico para crianças e a doca para as gaivotas a pedal. As bancas de artesanato ao ar livre emprestam ao local uma estética única no centro da cidade.

As lojas estão encaixadas por debaixo da Avenida da Praia Grande; circunstância de raiz que não é possível alterar e que corta a vista do lago, quer a quem esteja sentado no café/esplanada quer a quem passe pelo no corredor das novas lojas, simplesmente em passeio ou, como se vê amiúde, a fazer jogging. Percebendo esse constrangimento, o café gerido pelo Instituto de Formação Turística (IFT), que inicialmente abriu com esplanada apenas no patamar de baixo, em poucos dias decidiu estendê-la também ao piso superior, a partir do qual se consegue então ter visa para o lago e para a cidade.

“Acho que este é o início de uma boa iniciativa”, comenta Teng, sexagenária que é dona de uma das bancas de artesanato. Num dia de semana, ao início da tarde, o calor faz-se sentir e as lojas estão praticamente vazias; aliás, como também a esplanada. A verdade é que os poucos clientes que nessa altura apanhámos preferiam abrigar-se no interior do café. Contudo, há ali um efeito de estufa e mesmo o ar condicionado parece incapaz de resolver o problema, até por as portas para a rua estão necessariamente abertas. “Nesta altura a luz é muito forte e há menos clientes, porque há muito sol”, comenta Teng, cujo negócio depende em larga medida do número de clientes do café e dos visitantes das lojas. Mas ela não se queixa. “Ao fim da tarde o movimento é maior”, remata, sentada debaixo de um enorme toldo que a protege do sol.

Promoção e visibilidade

O espaço funciona entre as 11H00 e as 22H00. Mas nem todos optam por ali fazer negócio durante todo esse tempo. Teng, por exemplo, chega cedo mas prefere retirar-se mais cedo. “Não fico cá até ao fim; saio por volta das 20h00; por isso, não lhe sei dizer se o movimento é ou não maior depois dessa hora, até às 22H00. Admito até que haja mais gente, sobretudo por causa dos moradores aqui da zona. Acho que podem vir aqui tomar café ou passear com a família depois do jantar”. Os principais problemas que nota são os da “falta de visibilidade para a rua” e a inexistência de uma “entrada” mais óbvia e visível para aquele espaço. Teng sugere aliás que esse aspeto seja “melhorado”, porque assim teme que não seja possível atrair mais pessoas, sobretudo os turistas. No futuro, espera que haja “mais turismo durante o período de férias” e que seja também possível atrair para aquela zona “quem visita as ruínas de São Paulo e depois volta pela Avenida de Almeida Ribeiro”. Se conseguirem “divulgar este espaço e torná-lo mais conhecido”, poder-se-á então “aliviar a pressão sobre aquelas zonas da cidade e aumentar aqui o negócio”, vaticina Teng, projetando uma situação que considera de “win-win”; ou seja, vantajosa para todos.

Ao fim do primeiro mês de experiência, Teng remete para a Direção dos Serviços de Turismo a responsabilidade de se perceber o que fará ainda falta para animar mais aquele local que, admite, pode ser ainda melhorado com o tempo. Contudo, ressalva, “nesta altura é ainda difícil dizer se são precisos mais cafés e restaurantes”, sugestão que se vai ouvindo entre os clientes que por ali passam. “Se a DST quiser certamente o fará”, argumenta, embora lembrando as limitações impostas pelas autoridades, que geralmente falam na poluição sonora, na gestão do lixo e afluência eventualmente excessiva de pessoas em zonas consideradas residenciais. “Cabe ao Governo decidir”, conclui Teng, considerando contudo que, “estando o projeto apenas no seu início, melhor será observar durante um período mais longo” antes de se tomarem outras decisões”.

Sexta-feira, 16H00; passa por ali um pequeno grupo de visitantes locais. Che, 20 anos de idade, gosta do que está a ver: “Isto é bom”. Se forem ali organizadas atividades, a jovem residente promete “voltar mais vezes”. Não faz contudo ideia do que seria possível fazer para continuar a desenvolver aquele espaço. “Está bem assim”, limita-se a comentar. Fará sentido haver mais restaurantes, cafés, talvez mesmo algum verde que ajuda fazer sombra? Che encolhe os ombros: “Não faço ideia”.

Mais aos fins-de-semana

No café do IFT, Cheong, 40 anos de idade, aceita uma conversa informal, deixando contudo claro que não se sente autorizado a representar o Instituto em declarações ao nosso jornal. Mas lá reconhece que a reação das pessoas “tem sido até agora positiva” e que o movimento, “é bom”. Entre segunda e sexta-feira, diz, “há mais clientes durante a hora do almoço”, mas o movimento cai muito a meio da manhã ou a meio da tarde. Já aos fins-de-semana a dinâmica é diferente; ou seja, aos sábados e domingos “aparecem mais clientes ao longo de todo o dia, especialmente durante a tarde”. Já a noite é mais “tranquila”, mesmo aos fins-de-semana, esclarece Cheong. Vão aparecendo “alguns clientes, mas menos do que aqueles que surgem durante a tarde”.

Satisfeito com os resultados, por aquilo que viu durante este primeiro mês, Cheong sugere que a aposta deve agora concentrar-se na “promoção” do local, porque “muitas pessoas ainda não sabem que isto existe”. Embora admita que algumas coisas possam ainda ser melhoradas, Cheong considera a ideia “muito positiva”, acreditando que os espaços entretanto já abertos são “suficientes” para animar a zona. A propósito, comenta, “não há qualquer comparação com o passado, quando não havia aqui nada a funcionar”.

O casal Lei levou os dois filhos a um passeio de gaivota. O marido, 32 anos de idade, estava feliz com a experiência, sobretudo por causa dos miúdos. “No geral, a ideia é boa. É mais um sítio que está disponível para os cidadãos e, sobretudo, é um bom local para as crianças brincarem e se divertirem”. De futuro, Lei espera que se aposte em “mais espaços dedicados às crianças”, defendendo ainda que pode fazer sentido abrir “mais cafés e lojas”, bem como encerrar as lojas mais tarde”. Dessa forma, defende, mais pessoas podem usufruir daquele espaço, sentando-se ali depois do jantar para “tomarem uma bebida”. Mas as sugestões do casal não acabam aqui… A esposa diz que conhece bem Taipé e lembra “o sucesso do mercado noturno”, antevendo que o “Anim’Arte NAM VAN” possa ser o prelúdio de uma espécie de feira permanente que anime a cidade ao cair da noite.

Organizar as gaivotas

No cais das gaivotas a pedal, o movimento é pequeno ao início da tarde. O sol dita as suas leis. Ao ser informado que de se tratava de uma reportagem para o jornal, o funcionário pede para não ser identificado; prefere o anonimato e aproveita para levantar alguns dos problemas com que se tem defrontado. “Alguns clientes telefonam a reservar uma gaivota, mas depois não aparecem. Nesses casos, estamos aqui com a gaivota presa e perdemos clientes que, estando aqui, podiam utilizá-la. Penso que esta não é a fórmula mais correta de gerir”, conclui.

Este problema põe-se mais ao fim da tarde e, sobretudo, aos fins-de-semana. A verdade é que naquela sexta-feira, ao início da tarde, estavam em funcionamento apenas quatro das dez gaivotas que se podiam ver no local. Segundo contas feitas por quem ali trabalha, a média durante a semana não ultrapassa os “100 passeios por dia”. Aos sábados e domingos ultrapassa os “150”. Explica-nos o funcionário que, como há umas gaivotas para duas pessoas, e outras com quatro lugares, “é mais difícil calcular o número de pessoas”, embora seja claro que a atração seduz especialmente as crianças. Se é verdade que aos fins-de-semana o movimento é maior, dando ao espaço uma cor mais familiar, durante a semana as gaivotas são mais requisitadas durante a tarde, “quando há menos sol”, e sobretudo por estudantes, que “chegam sucessivamente ao longo do dia”.

Para além do já referido problema das marcações, ouvimos ainda sugestões sobre a necessidade de “ordenar melhor as filas de espera”, sobretudo durante os picos de funcionamento, de forma a que seja possível organizar as entradas e saídas das gaivotas com “mais segurança”. Por vezes “o movimento é tão grande que isto se torna um caos e é difícil para controlar controlarmos tudo”. Perante o aumento do número de gaivotas e o alargamento dos horários, entretanto anunciado por Alexis Tam, fica também o recado laboral: “Dois empregados e dois salva-vidas já é curto” para 150 passeios, e com os atuais horários. Sem esperanças de que o reforço da aposta nas gaivotas signifique também a contratação de mais funcionários, fica o lamento: “Já não temos tempo para descansar”. 

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Primeira escola num café

O IFT Café, âncora do Anim’Art Nam Van, cumpre dois objetivos: dar resposta ao desafio lançado pela tutela, num curto espaço de tempo; e montar uma escola prática de formação turística. O projeto tem ainda um caráter experimental e garantia de estar aberto ao público, pelo menos, até ao fim do ano. Depois se verá se continua, se é passado a outro promotor ou se o espaço terá funções diferentes.

Frida Law, relações públicas do Instituto de Formação Turística (IFT), lembra que o projeto anunciado por Alexis Tam “junta as industrias culturais e recreativas ao lazer e ao desporto”, admitindo ainda que houve alguma pressão em termos de tempo. Fazendo-se acompanhar na reportagem por Wong Yuk Shan, assistente do diretor executivo do sector de alimentos e bebidas do IFT, Frida Law mostrou-se satisfeita pelo facto de terem cumprido os objetivos com os quais foram confrontados: o projeto está em pleno funcionamento e tem “boa aceitação por parte da população”. E para além da “articulação com o Governo, os nossos estudantes estão aqui a serem formados”. Quer atrás do balcão, quer no serviço de mesas, salta à vista o grande número de jovens, claramente superior ao que seria normal num café exclusivamente comercial. O motivo é óbvio: são estudantes do IFT, orientados por profissionais contratados para efeito.

A maioria deles estuda gestão hoteleira ou prepara-se para um futuro nas indústrias MICE; estão de férias e trabalham no café a tempo parcial. Contudo, muitos deles continuarão integrados no projeto, mesmo depois de voltarem às aulas, em setembro. “Os nossos cursos incluem estágios e é bom que tenham esta oportunidade de aprender a servir com qualidade, seja a coordenar uma área no café/restaurante, seja a abrir uma garrafa do vinho”, comenta Frida Law, explicando que outros alunos, mesmo que não estejam ali a estagiar, “podem sempre observar os colegas em diferentes tipos de serviço”, o que lhes “facilita depois o estudo”.

A especialidade do café são “sandes clássicas”, classifica Frida Law, lembrando que a maioria das turístas conhece bem a club sandwich, ou outras à base de bacon, legumes e tomate. A ideia é “criar sabores diferentes a partir de produtos clássicos, ao gosto dos clientes”. Como os empregados a tempo inteiro são poucos e os estudantes estão sempre a rodar, a estratégia adotada é a de ter uma ementa curta e fácil de manejar atrás do balcão. “Achamos que os clientes querem sentar-se e conversar, não vêm cá à procura de comida especial”. Já nas sobremesas procura-se o sabor português e não falta o famoso pastel de nata, que “os turistas tanto gostam”.

Decoração artística

Frida Law não esconde o orgulho pelos elogios à decoração: “Usamos obras de artistas locais assim damos a cor de Macau ao café, fazendo com que os clientes percebam que os nossos artistas não fazem só artesanato. Cada quadro tem a assinatura de um autor e a remodelação não é a de um café normal. Queremos que seja também uma galeria, onde os clientes observam os quadros confortavelmente sentados no café”. 

Com um mês de funcionamento, os clientes sugerem sobretudo “mais lugares de esplanada”. Alguns querem mesmo sentar-se ali à noite, até mais tarde, mesmo depois das 22H00, quando o café fecha. “O négocio vai bem”, garante Frida Law, embora não divulgando a faturação. “Um mês ainda é pouco para análise e serão precisos mais uns meses de observação para tirar conclusões”. Sobretudo ao fim-de-semana, diz, a zona “tornou-se habitual para os residentes e é também um destino turístico. Muitos país trazem as crianças, andam de gaivota e assumem este espaço como local de recreio”. A experiência é nova e o IFT continua a “auscultar os clientes”, o que os fez, por exemplo, aumentar já os lugares de esplanada: A verdade é que “nunca estivemos envolvidos num projetos destes e há sempre espaço para melhorar”.

Experiência única

Joana Kou, 20 anos de idade, frequenta o segundo ano da gestão hoteleira e um dos motivos que a levou a inscrever-se no IFT foi precisamente o lado pratico dos estágios. “É diferente dos outros cursos porque aqui posso logo praticar. Gosto do contato com pessoas diferentes e isso também me tentou neste curso. Para além das disciplinas teóricas, como as de marketing, contabilidade ou gestão, Joana valoriza também o lado prático do curso, em que aprende o atendimento em balcão, house keeping, F&B ou cozinha”. Quantos aos sonhos de futuro, prefere pensar passo a passo: “Para já, vou continuar a estudar; depois do mestrado quero então trabalhar num hotel”.

No contato com os clientes Joana Kou destaca sobretudo “os elogios à decoração” e “surpresa” quando percebem que se trata também de uma escola do IFT. À hora do almoço, muitos pedem “arroz ou espaguete, mas nós só temos snacks”.

Priscila Lam, 20 anos de idade, está ainda no primeiro ano de gestão hoteleira, curso que escolheu “porque o sector é próspero; há novos hoteis muitos outros a serem construídos”. Neste contexto, acha que “vais ser fácil encontrar emprego”. Além disso, conclui, “gosto de fazer amigos e a hotelaria permite-me contactar com muitas pessoas”. Gosta do curso e considera “interessantes” as disciplinas, quer as práticas quer as teóricas, considerando-as, na globalidade, “relevantes para a carreira futura”. Priscila não tem dúvidas do seu destino a médio prazo: “Vou trabalhar num hotel”.

Satisfeita com a experiência no IFT Café, aprende também a lidar com as dúvidas dos clientes, muitos dos quais esperavam encontrar ali um restaurante: “Chegam cá para comer, depois vêm que na ementa só há sandes e não gostam; acham que a comida é monótona e pedem massa ou arroz. Uma vez houve clientes que se foram embora depois de ver a ementa. Não concordo; acho que as nossas sandes são boas, têm ingredientes em abundância e o preço é muito simpático quando comparado com os de outros cafés”.

Nuno Ferraria e Nunu Wu e Paulo Rego

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