A vitória do terror - Plataforma Media

A vitória do terror

Todos sabem porque ficam em casa. Porque têm medo; porque não há liberdade quando não há segurança. No China Daily, turistas chineses explicam que não fazem turismo em Bruxelas, uma cidade paralisada, com famílias trancadas em casa. O centro politico da Europa vive um verdadeirto cenário de hooror: tropa na rua, comércio fechado, transportes paralisados. É a prova mais dura de que os ataques em França conquistaram terreno. O cenário é de horror.

A França está em guerra. E o mundo está consternado. O problema é que a única receita ao alcance das autoridades faz agora parte da doença. Pior: alimenta-a e adensa os seus sintomas. Depois do 11 de setembro, multiplicaram-se as excepções legislativas em nome da guerra contra Bin Laden. Sem resistência nem controlo, foram suspensas liberdades e garantias no país que era o mais cioso dos direitos iindividuais face às tentações de abuso do Estado. Mas hoje é difícil negar às polícias o direito a saberem a cor das cuecas, não vá serem suspeitas. Não há limites à vigilância dos cidadãos, até que provem não serem terroristas – no ativo, hibernados ou na escola do radicalismo islâmico. Há pouco mais de uma década, Guantanamo seria ridicularizada e nenhum cidadão americano adimitiria que o seu email, telefone e cartão de crédito – já agora, os da secretária e da amante – estivessem sob vigilância digital ominpresente. Depois de França, a segunda leva securitária toma conta de nós.

Não se pode ser contra. Já não se brandem argumentos contra o fecho das fronteiras; não se negam os perigos da imigração descontrolada; não há como esconder mesquitas vertidas em máquinas de lavar cérebros… Não há espaço de sanidade para nos lembrarmos que os nossos pais e avós lutaram, muito – e muitos deram a vida – por liberdades e direitos que agora se perdem. Porque reina o terror. E porque há, de facto, razões para se ter medo.

No respeito por essa prioridade absoluta, que é a de sair à rua e não ser metralhado por um louco que devia estar preso, ou abatido… Há razões para olharmos para o espelho e ver mais do que isso: vale a pena ter medo também do regime do medo. O abuso da autoridade dá ao terrosismo a primeira vitória antecipada.

Paulo Rego

27 de Novembro 2015

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