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A justiça dos Estados Unidos está a investigar a possível existência de uma estrutura corrupta no seio das Nações Unidas em que altos funcionários receberam subornos de empresários chineses, inclusive de Macau, avança o Wall Street Journal.

Segundo o jornal norte-americano, que cita frontes próximas da investigação, os alegados pagamentos estariam ligados ao desenvolvimento do setor imobiliário em Macau, região administrativa especial da China.

“Espera-se que sejam anunciadas acusações adicionais contra outras pessoas, incluindo funcionários e ex-funcionários da ONU”, indica o Wall Street Journal.

A investigação, dirigida pelo escritório do promotor do distrito sul de Nova Iorque, Preet Bharara, e pela polícia federal norte-americana (FBI), centra-se no alegado pagamento de suborno por parte de empresários chineses, entre outros, a funcionários da ONU representantes de países do Caribe.

As fontes da investigação não precisaram ao jornal norte-americano como funciona exatamente o suposto esquema de corrupção. A 19 de setembro, o magnata imobiliário na antiga colónia portuguesa Ng Lap Seng e o seu assessor, Jeff C. Yin, foram detidos por suspeita de estarem vinculados ao esquema de corrupção.

Os dois detidos foram acusados de mentir às autoridades aduaneiras norte-americanas em relação à finalidade de mais de 4,5 milhões de dólares (quatro milhões de euros) que levaram para os Estados Unidos desde 2013. Segundo as conclusões do inquérito da política federal, consultadas pela agência de notícias AFP, Ng Lap Seng e o seu colaborador fizeram 11 viagens para os EUA, entre julho de 2013 e setembro de 2015, transportando de cada vez entre 200 mil e 900 mil dólares.

O promotor imobiliário desembarcou, por exemplo, um dia de julho de 2014, em Nova Iorque, com uma mala contendo 400 mil dólares (355 mil euros) em dinheiro. Disse aos serviços alfandegários que tinha a intenção de utilizar este dinheiro na compra de quadros e em jogo no casino.

Mas os investigadores do FBI estão convencidos de que Ng Lap Seng mentiu e que a soma tinha outro destino, que não pormenorizaram.

O empresário detido é presidente do grupo Sun Kian Ip, uma corporação privada com sede em Macau que conta com uma fundação em Nova Iorque. Além disso, tem uma grande influência política, tanto em Macau, como no Governo de Pequim.

Através da fundação e a título pessoal, Ng Lap Seng trabalhou em várias ocasiões com o escritório da ONU para a Cooperação Sul-Sul, dedicado à promoção de acordo económicos e políticos em países em desenvolvimento. Nos documentos apresentados pela justiça norte-americana contra Ng e Yin, são citados 19 milhões de dólares (16,8 milhões de euros) que foram transferidos para os Estados Unidos com destino a particulares ou entidades até 2010. Entre outros casos, os documentos – a que o jornal norte-americano teve acesso – citam que durante a visita dos dois homens aos Estados Unidos em 2014, os 400 mil dólares (355 mil euros) foram levados numa mala para um encontro com um empresário não identificado no bairro de Queens, em Nova Iorque.

9 de Outubro 2015

 

 

 

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