Jogo racional - Plataforma Media

Jogo racional

A queda das receitas brutas do jogo abaixo das 20 mil milhões de patacas – patamar da anunciada austeridade – já não é um cenário pessimista; é a “nova normalidade”. O termo, vincado pela semiótica política de Pequim, diz muito sobre o horizonte próximo de Macau. Contudo, reina no burgo a incerteza sobre o que isso de facto significa; nos casinos, noutros setores da economia; mas sobretudo no emprego, na inflação e no nível de vida das pessoas. É um tempo exigente para os governantes, de quem se esperam medidas, atitudes e discurso. Rapidamente e em força.

Urge, por exemplo, negociar com o Continente o alargamento dos vistos individuais. Se a tese é substituir os jogadores compulsivos e a economia paralela por jogadores reais e pelo turismo familiar, faz sentido abrir as fronteiras a mais províncias. Mas isso não bate certo com a o teto de entradas e a tese da sobreocupação; além de outras restrições que pairam no ar.

Por outro lado, os operadores de jogo têm de reformatar o modelo junket: concessão e cobrança de crédito na China. A não ser que Xi Jinping falhe a revolução em curso – não parece sensato apostar nisso – esse mundo não volta atrás. Os investimentos no COTAI dobram a capacidade hoteleira de Macau e esses 50.000 quartos vão ter de ser ocupados.

Por fim, com as reservas financeiras que tem, e um orçamento que nunca é capaz de executar, o governo tem de substituir o papão da austeridade pelo culto da racionalidade. Ou seja; está na hora de eliminar gorduras, acabar com o desperdício e o clientelismo; mas não de cortar a direito, gripando o motor estatal da economia. Muito menos quando o outro – o do jogo – está em baixa rotação.

Espalhar o medo e asfixiar as pequenas empresas é nesta altura a pior de todas as políticas. Convém combinar o futuro com os operadores de jogo, promovendo a competitividade regional; e é preciso assumir políticas de contraciclo. A solução não é lamentar resultados, muito menos dramatizá-los. É racionalizar a inversão da dinâmica descendente.

Paulo Rego

4 de setembro 2015

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