ACUSAÇÕES DE AUTOCENSURA DIVIDEM CLASSE - Plataforma Media

ACUSAÇÕES DE AUTOCENSURA DIVIDEM CLASSE

 

Associações de jornalistas de Macau têm entendimentos diferentres sobre um relatório que conclui pela “crescente prática de autocensura” em Macau.

 

Um relatório que alerta para restrições à liberdade de imprensa em Macau é elogiado pela Associação de Jornalistas de Macau, que representa maioritariamente profissionais chineses, mas visto como “parcial e incompleto” pela Associação de Imprensa em Português e Inglês.

O sétimo relatório da organização Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) refere que “a liberdade de imprensa não melhorou” e que há “uma tendência crescente para a autocensura” em Macau.

Intitulado “China’s Media War: Censorship, Corruption & Control”, o relatório apresentado na segunda-feira em Hong Kong afirma que “os jornalistas que se desviaram da prática normal foram detidos pela polícia”, em alusão à detenção no ano passado do diretor e de um estagiário da publicação de sátira política Macau Concealers.

O documento acrescenta que “o governo de Macau continuou a usar a ‘lei’ para barrar” a entrada no território de jornalistas, académicos, políticos e ativistas pró-democratas.

Em dezembro, por ocasião do 15.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau, 14 ativistas pró-democracia e quatro jornalistas de Hong Kong foram hoje impedidos de entrar no território.

No final do ano, a deputada de Hong Kong e presidente do Partido Democrático, Emily Lau, foi igualmente impedida de entrar em Macau, uma decisão que, segundo a própria, as autoridades justificaram com motivos de segurança interna. A FIJ refere também ataques à liberdade académica, ao referir os casos de dois professores – Bill Chou e Éric Sautedé, antigos quadros da Universidade de Macau e Universidade de São José – que foram despedidos “depois de terem exercido o direito de falar sobre políticas controversas”.

Para a Associação de Jornalistas de Macau, que não é membro da FIJ, o documento reflete a realidade. “O relatório aponta quase todos os casos. Não ficámos surpreendidos (com as conclusões). A censura em Macau está cada vez pior, qualquer pessoa pode verificar isso”, disse à agência Lusa a presidente, Connie Peng.

“A situação é mais grave do que as pessoas pensam”, reforçou, ao explicar que a associação está atualmente a lidar com novos casos de ataque à liberdade de imprensa em Macau.

Connie Peng observou que a censura em Macau “é exercida pelas chefias dos meios de comunicação e também por parte do Governo” e invocou uma situação verificada já este ano com um membro do novo governo, mas remeteu explicações para mais tarde de modo a proteger o jornalista envolvido.

“Um jornalista colocou uma questão sensível a um dirigente e assim que chegou à redação foi chamado pelo superior que lhe perguntou ‘porque é que fizeste isso?’, descreveu a presidente da Associação de Jornalistas de Macau, ao denunciar que alguém do governo terá telefonado para o órgão de comunicação social para se queixar.

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) tem uma opinião divergente sobre o documento. “Consideramos que o relatório agora tornado público é parcial e incompleto, não tendo em conta a complexidade da comunicação social em Macau”, referiu em comunicado.

“A direção da AIPIM espera que a Federação Internacional de Jornalistas possa ser isenta, independente e imparcial nos relatórios que produz e que ouça todas as partes antes de concluir o que quer que seja sobre a liberdade de imprensa em Macau”, sublinhou.

Na base da contestação está o pedido de adesão à FIJ solicitado pela AIPIM em 2012, ao qual não foi dado seguimento. “Até este momento, a direção da AIPIM não voltou a ser contactada pela Federação Internacional de Jornalistas para qualquer efeito”, acrescentou.

 

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