Fernando Lima * - A BOA E A MÁ NOVA DO PETRÓLEO - Plataforma Media

Fernando Lima * – A BOA E A MÁ NOVA DO PETRÓLEO

 

Furtei à minha amiga Lena Garrido, do “Jornal de Negócios”,  o título deste meu apressado apontamento sobre as novas mundiais do petróleo e os seus impactos no nosso Moçambique do carvão e do anunciado gás da Bacia do Rovuma. Petróleo a 57 dólares o barril faz a felicidade de qualquer ministro das Finanças de um país importador, mesmo que esteja em fim de mandato e nas habituais incertezas no renova/não renova. Por causa dos preços do combustível e da cadeia de aumentos associados à subida do ouro preto, Moçambique viveu na Administração Guebuza alguns dos seus piores momentos com barricadas e tumultos de rua que acabaram por ditar os subsídios aos combustíveis com que vivemos até hoje.

Só este ano, a fatura das compensações do governo às gasolineiras ronda os USD 120 milhões, numa fatura global de importações um pouco abaixo dos 1000 milhões de US dólares. A conta é modesta se comparada com outras economias da região, mas para a nossa gestão interna, é um item complicado. Apesar de a versão ser disputada, o disparo do dólar na última semana é parcialmente atribuído ao pagamento de duas “faturas gordas” de importações que cairam “em tempo errado”.

Vamos ter baixamento de preços?

A pergunta é pertinente, mas é cedo para ter resposta. Internacionalmente há muitas reflexões que indicam que a baixa do petróleo veio para ficar. Os Estados Unidos celebram a exploração do petróleo de xisto, a Arábia Saudita não parece mostrar vontade em liderar um fecho de torneiras na OPEP (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo), tanto mais que há objectivos políticos a alcançar, nomeadamente, o sancionamento da Rússia de Putin e a Venezuela pós-Chavez.

Claro que as notícias não são boas para os nossos irmãos do Atlântico que têm a sua economia altamente dependente das ramas de petróleo. Portugal, que tem tentado alavancar o seu relançamento económico à custa das exportações para Angola e do próprio investimento angolano, vê a presente baixa com sentimentos mistos.

Mesmo em Moçambique, para quem olha a economia a médio termo, uma baixa prolongada do petróleo pode ter um efeito de contágio altamente perigoso para duas das estrelas no mercado das matérias-primas: o carvão e o gás. Petróleo baixo pode levar o carvão metalúrgico para preços ainda mais baixos, “petróleo competitivo” obriga a refazer os cálculos na exploração de gás a grandes profundidades, como é o caso da bacia do Rovuma.

Vamos mesmo ter baixa no preço da bomba de combustível?

No Ministério da Energia há uma fórmula matemática para fazer os cálculos. Mas há também uma almofada paga pelo Governo nos últimos anos para evitar mais descontentamento popular e um dólar alto a dar dores de cabeça adicionais. Mas, se as coisas continuarem assim, lá para março e se houver Governo novo, poderá haver as tais boas notícias.

 

*Savana/Moçambique

 

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