LINHA DE CRÉTIDO: O GRANDE SALTO LUSÓFONO - Plataforma Media

LINHA DE CRÉTIDO: O GRANDE SALTO LUSÓFONO

 

Alexandre Correia da Silva defende a criação em Macau de uma linha de crédito à exportação, “no mínimo de 100 milhões de dólares”, para que as empresas locais possam crescer e desenvolver-se a exportar produtos chineses – e não só – para os países africanos de língua portuguesa. 

 

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, mencionou durante a campanha para a sua reeleição a intenção de negociar em Pequim mecanismos para que os produtos chineses sejam exportados para os países lusófonos através de Macau. Alexandre Correia da Silva, advogado e presidente da Associação dos Naturais e Amigos de Angola, considera a ideia “muito importante”, mas teme que as empresas locais se reduzam “à prestação de serviços eventuais”. Por isso defende uma linha de crédito à exportação, considerando-a como “o um grande salto em frente” no envolvimento das empresas de Macau no projeto lusófono chinês.

Essa linha de crédito, criada em Macau, significaria “dinheiro dado às empresas locais para garantir as suas exportações”, explica Correia da Silva. O pagamento seria depois garantido pelas entidades importadoras, mediante condições negociadas para a linha de crédito. Esse mecanismo, defende o advogado, deve pensado e negociado entre Macau e os países importadores, “nomeadamente aqueles com economias mais estáveis, como Angola, Moçambique e Cabo Verde”. A ideia seria mimetizar para a exportação de produtos a partir de Macau as linhas de financiamento que a China criou para as grandes obras em países africanos de língua portuguesa. Ou seja, as construtoras teem o pagamento garantido por uma linha de crétido que, no caso de Angola, por exemplo, tem o petróelo como garantia. Como “esses trabalhos são feitos por empresas chinesas, o dinheiro sai de um bolso para outro bolso, permitindo às empresas internacionalizarem-se”, defende Correia da Silva.

No caso de Macau não é expectável que as empresas possam estar envolvidas na construção das grandes infraestruturas. Logo, “deverão apostar em vendeder para os países de língua portuguesa os produtos que podem adquirir na China, nomeadamente na região dos “9 + 2”. Mas não só, ressalva Correia da Silva, considerando que a descoberta de produtos e a negociação de compra poderá estender-se até ao Vietname, Malásia, Tailandia, etc.” Neste contexto, “as nossas pequenas e médias empresas teriam a possibilidade de se desenvolverem para irem aos mercados comprarem, venderem, organizarem-se e fazerem o seu procurement. Seria essa “a melhor forma de enriquecer as nossas empresas. O que foi anunciado pelo Chefe do Executivo é bom, mas juntar-lhe uma linha de crédito, nestes moldes, seria um grande salto em frente do ponto de vista do apoio às pequenas e médias empresas”, sintetiza Correia da Silva, considerando que Macau tem “capacidade financeira” para uma linha de crétido que, “para ser significativa, não poderia ser abaixo dos 100 milhões de dólares”.

Para efetivar este mecanismo, Correia da Silva defende a constituição de um grupo de trabalho que inclua associações comerciais, a Associação Industrial, os Serviços de Economia, o Instituto de Promoção do Investimento de Macau (IPIM) e a Autoridade Monetária e Cambial, que estude com os países importadores os critérios e as regras dessa linha de crédito. “O exportador de Macau teria a sua venda garantida, mas para isso teriam de ser estabelecidas as garantias dadas pelos países beneficiários desse crédito”. No caso de Angola, que Correia da Silva conhece bem, “o ministro das Finanças conhece bem Macau, é amigo de Macau… de certeza que estará aberto a negociar um mecanismo deste género”.

 

Paulo Rego

 

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