Uma “inspiração para os outros escritores”, foi, como recorrentemente, a imprensa de todo o mundo se referiu à morte, no domingo, mas conhecida na terça-feira, da sul-africana Nadine Gordimer, com 90 anos, uma referência da literatura africana e universal, e um símbolo na luta contra o “apartheid”.
“Inspiração”, porque como o recordou o britânico The Guardian, porque poucos personificaram como ela a decisão difícil de assumir riscos, em detrimento do conforto pessoal. Grande parte da sua obra esteve banida pelo governo da minoria branca, o que não causou qualquer surpresa, face ao seu empenho de lutadora contra o “apartheid” e pela liberdade de expressão.
Foi um comportamento que se manteve ao longo dos anos, baseado em princípios que não passam de moda, e numa escrita sem tempo nem idade.
Autora de mais de 15 romances e de dezenas de novelas, vencedora do Nobel em 1991, Nadine Gordimer nunca se assumiu como uma escritora política, embora ressalvasse: “mas a política está nos meus ossos, no meu sangue, no meu corpo”.
“The Lying Days”, de 1953, foi o seu primeiro romance, numa produção que teve em Burger’s Daughter (1979) e July’s People (1981) os seus momentos marcantes.