Pedro Coito - CAMPEONATO MUNDIAL PARA TODOS OS GOSTOS - Plataforma Media

Pedro Coito – CAMPEONATO MUNDIAL PARA TODOS OS GOSTOS

O Mundial começou a semana passada e pode se dizer que está a corresponder as expectativas de todos os entusiastas do desporto-rei. Já houve grandes jogos, grandes golos, grandes surpresas, grandes erros de arbitragem e um grande ambiente que promete continuar nas semanas que se seguem. Logo na primeira partida as emoções foram ao rubro com uma vitória da seleção brasileira, mas rodeada de controvérsia, com o segundo golo de Neymar a surgir de uma grande penalidade no mínimo bastante discutível.

No segundo dia veio o primeiro grande escândalo, na reedição da final de 2010. A Espanha, campeã mundial e bi-campeã europeia, foi completamente destruída, humilhada, por uma rejuvenescida Holanda que se apresentou rápida e eficaz, a fazer lembrar a “Laranja Mecânica” de Cruyff – se forem capazes de manter o nível exibicional, os holandese são fortes candidatos a levantarem o troféu.

A nova tecnologia da linha de golo teve o seu primeiro teste no jogo da França frente às Honduras, quando Benzema (ou o guarda-redes hondurenho) introduziu a bola na baliza após esta bater no poste. Ficou a prova de que o sistema funciona, num jogo que não teve grande história.

O melhor jogo do Mundial aconteceu naquele que era considerado o estádio mais problemático, em Manaus. O Inglaterra-Itália apresentou duas equipas que procuraram a vitória, em estilos bastante diferentes e mostrou-nos que o cinismo transalpino continua em grande forma, principalmente quando assenta numa percentagem de acerto de passes de 94% e no génio de um jovem Andrea Pirlo, de 35 anos, que continua a ser o cérebro de um campeão mundial, assim os companheiros o consigam acompanhar.

Na primeira semana tivemos dois extremos no que toca aos dois melhores jogadores do mundo. Messi abriu o livro quando a sua equipa mais precisava, e fez um dos melhores golos, até ao momento, do campeonato, numa altura em que a Bósnia podia perfeitamente surpreender a selecção albi-celeste. Já Cristiano Ronaldo não apareceu num jogo em que, honestamente, não houve Portugal. Foi tudo mau demais para a seleção de Paulo Bento, que, para além de derrotado por números humilhantes, perdeu três peças para o jogo contra os Estados Unidos, sendo que Coentrão (e talvez Pepe, consoante a duração do castigo que lhe será imposto) não deverá voltar a ser opção.

O Mundial arrancou em grande e agora começam as contas. Do que vimos até agora, poder-se-à dizer que Brasil e Alemanha confirmaram o estatuto de favoritos, Holanda e Itália entusiasmaram e os países ibéricos procuram reerguer-se urgentemente. E precisam de o fazer o mais rápido possível porque numa competição como esta não há tempo para pensar no que passou.

 

A MORTE DE UM ESTILO

OU UM DIA DE AZAR?

 

Sexta-feira dia 13. Um dia que muitos consideram ser dado à má fortuna. Espanha e Holanda voltavam a defrontar-se, quatro anos depois da final do Mundial da África do Sul, desta vez na primeira partida do grupo B. E aquilo a que assistimos foi algo de absolutamente indiscritível. O primeiro grande escândalo do Mundial aconteceu em Salvador da Bahia, e de forma tão brutal que é impossível pôr esta partida ao nível das outras.

A Espanha manteve-se fiel ao seu estilo, muita posse de bola, e, finalmente, com uma referência ofensiva em Diego Costa. E isso parecia estar a ser o pequeno ajustamento que os grandes sistemas precisam para se manterem atuais e demolidores, já que foi o naturalizado que arrancou uma grande penalidade que daria a liderança aos campeões mundiais e europeus.

O problema veio depois, e noutras zonas do campo. Quando a dupla de centrais constituída por Ramos e Piqué deixou espaço para o fantástico golo de Van Persie, a casa veio abaixo. Erros de marcação, desconcentração, pouca agressividade (constatada nas apenas cinco faltas que a Espanha fez ao longo do jogo). A segunda parte foi como um filme de terror para os espanhóis, numa versão futebolística da Lei de Murphy – sempre que os holandeses se aproximavam da área de Casillas, lá vinha mais uma situação que atirava La Roja para uma tremideira nada natural. Os golos aparecem de forma bastante natural e o resultado até pode ser considerado lisonjeiro dado que a “Laranja Mecânica” ainda teve oportunidades flagrantes que acabaram por desperdiçar.

É possível que seja um pouco cedo para assinar a sentença de morte do “tiki-taka”, mas a verdade é que agora os espanhóis têm de vencer os dois jogos que restam, e mesmo assim deverão marcar encontro com o Brasil nos oitavos. Mas, defendendo da forma que o fizeram na sexta-feira 13, nem a qualificação é garantida. Está na hora de os espanhóis voltarem a elevar o seu jogo.

Pedro Coito,Mestrando em Coaching Football na Oxford University

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