Paulo Rego - MACAU É MESMO ASSIM - Plataforma Media

Paulo Rego – MACAU É MESMO ASSIM

A aventura que hoje começa só é possível porque muita gente acredita neste projeto; com ele se entusiasma e a ele se entrega; por ele muda de vida, partilhando connosco o sentido do jornalismo e a cultura de exigência devida aos leitores. Como é natural, à nascença, acreditamos num caminho e numa identidade, projetamos sonhos e ambições, carregando a ambição de mudar alguns paradigmas. Queremos saltar barreiras, derrubar muros e pisar o chão que pode ser comum entre línguas e culturas diferentes que há muito convivem nesta terra chinesa, com nome de Deus, e História de Portugal.
Nem todos os séculos tiveram a mesma tolerância; nem sempre o convívio foi urdido da forma mais inteligente e salutar; nem todos discursos – e a sua prática – criaram verdadeira irmandade entre os povos. Mas o que marca Macau, nos moldes que a História teceu, existe hoje na sua nova forma de ser. Os tempos mudam, há novos poderes, novas lógicas e circunstâncias. Mas o jogo secular da convivência entre chineses e portugueses está hoje longe de ser um mero exercício de resistência. As portas do entendimento estão abertas à construção, à negociação, a uma partilha de interesses que nunca foi tão global e estratégica.
O compromisso com o presente tem horizontes nunca antes navegados. Porque há na China, como em Portugal, no Brasil, e na maioria dos Países de Língua Portuguesa, a consciência crescente de que potencial do fórum sino-lusófono ultrapassa em larga escala o interesse só de Macau.
Essa convicção está na deste do Plataforma Macau. Assumidamente, uma marca que expõe um desígnio político e uma económica, mas também novas oportunidades intelectuais. Hoje há mais gente a acreditar. O primeiro sinal que este jornal transmite é precisamente o de ter reunido condições para avançar. Porque o mercado acredita no valor de um jornal bilingue, na viabilidade de um semanário de referência, no potencial de uma sociedade de serviços que afirme Macau como relevante na estratégia de expansão internacional da China. Neste caso, por via das relações com o bloco lusófono. António José de Freitas, a mão que eleva este projeto a uma escala que lhe é muito própria, tem esta frase lapidar: “É um projeto com alma grande”. Onde todos cabem, ao qual todos são bem vindos, que de todos depende e com todos quer trabalhar.
A todos os que aceitaram estar nesta primeira hora – como fontes, parceiros, colaborares, anunciantes ou, simplesmente, amigos e conselheiros –  o devido reconhecimento. Porque querem, entendem o que está em causa, apoiam a comunicação sem fronteiras, ou intuem a mais valia da sua presença publicitária, também nos fazem acreditar.
Aos leitores, a quem tem de servir um jornal, as três últimas notas:

— Este é um processo novo, exigente, multilingue; que quer perceber e ser percebido; que tem os pés assentes na terra e os olhos postos no céu, consciente de que é preciso primeiro ser útil, credível e eficaz, para depois poder crescer.
— Não será um jornal chinês, traduzido para português, nem será o seu contrário. Por isso, os leitores bilingues notarão diferenças entre as duas versões. Os dados são os mesmos, como é a mesma a estrutura do texto e a hierarquia das mensagens. Mas aqui e ali ensaia-se o compromisso entre formas diferentes de pensar e de comunicar. Ou seja, a tradução procura ser cultural – e não literal.
— O website que lançamos segunda-feira – www.plataformamacau.pt – para além de alguma atualização diária, terá às sextas-feiras a nossa edição integral em português e em chinês tradicional. A v  ersão em chinês simplificado estará online aos sábados. Não é possível arrancar já também com versão inglesa, o que acontecerá numa segunda fase.

Paulo Rego

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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